Em agosto de 2023, mais de 800 mil brasileiros foram pegos de surpresa quando a 123 Milhas anunciou a suspensão de pacotes e passagens promocionais. De uma hora para outra, viagens planejadas com meses de antecedência foram canceladas, e o dinheiro não voltou. Quase três anos depois, o processo ainda não terminou, e a maioria dos credores ainda não recebeu nada.
Este artigo explica o que aconteceu, em que ponto está o processo de recuperação judicial hoje e quais são as opções reais para quem ainda tem valores a receber.
O que aconteceu com a 123 Milhas
A 123 Milhas cresceu rapidamente vendendo passagens e pacotes promocionais com preços muito abaixo do mercado. O modelo funcionava enquanto o volume de vendas era alto o suficiente para cobrir os resgates. Quando a demanda por viagens explodiu após a pandemia e os preços das passagens subiram, a conta não fechou mais.
Em agosto de 2023, a empresa suspendeu os chamados "pacotes flexíveis" e anunciou que não conseguia honrar os compromissos com os clientes. Dias depois, entrou com pedido de recuperação judicial, junto com as empresas do grupo: Maxmilhas, HotMilhas, Novum e LH Lance Hotéis. A dívida total declarada é bilionária.
Linha do tempo do caso 123 Milhas
| Data | O que aconteceu |
|---|---|
| Agosto 2023 | 123 Milhas suspende pacotes e anuncia crise financeira |
| Agosto 2023 | Pedido de recuperação judicial aprovado pela Justiça de MG |
| 2024 | Justiça bloqueia R$900 milhões em contas dos sócios |
| Setembro 2024 | Prazo de blindagem (stay period) prorrogado por mais 180 dias |
| Novembro 2024 | Prazo para credores consultarem e contestarem lista de valores |
| Março 2025 | Credores recebem 30 dias para contestar plano de recuperação |
| Setembro 2025 | Audiência administrativa no TJMG orienta credores sobre próximos passos |
| 1º semestre 2026 | Previsão da juíza para realização da Assembleia Geral de Credores |
As três opções oferecidas aos credores pelo plano
Receber o valor como crédito para usar em novas compras de passagens, hospedagens ou venda de milhas dentro da plataforma da 123 Milhas. O valor não é pago em dinheiro, mas usado como desconto em futuras transações.
Receber 60% do valor total da dívida, com o restante sendo pago conforme condições definidas no plano. Representa uma perda imediata de 40% do valor que você tem a receber, mas garante parte do dinheiro de volta em dinheiro.
Pagamento de até R$450 por credor, com desconto de 100% do que exceder esse valor. Ou seja, quem tem R$500 a receber recebe R$450 e perde R$50. Quem tem R$5.000 a receber recebe apenas R$450 e perde o restante.
O que fazer se você é um credor da 123 Milhas
- Verifique se seu nome consta na lista de credores — Acesse o site da administradora judicial do processo e consulte se seus valores estão corretamente registrados. Quem não está na lista pode ter perdido o direito de participar do plano.
- Confira o valor registrado — O valor que a empresa declarou que te deve pode ser diferente do que você efetivamente pagou. Se houver divergência, é possível contestar pelo canal oficial do processo.
- Acompanhe a Assembleia Geral — A juíza responsável previu a realização da assembleia para o primeiro semestre de 2026. É nela que os credores votam o plano de recuperação. Quem não participa não tem voz na decisão.
- Avalie as opções do plano com cuidado — As três opções têm impactos muito diferentes dependendo do valor que você tem a receber. Para valores pequenos, a Opção C pode fazer sentido. Para valores maiores, consulte um advogado antes de escolher.
- Considere assessoria jurídica — O processo é complexo e os prazos são rígidos. Um advogado especializado em direito do consumidor ou recuperação judicial pode ajudar a maximizar o valor que você vai recuperar.
A lição financeira que o caso deixa
O caso da 123 Milhas expõe um risco que muita gente ignora: compras antecipadas de serviços que dependem da saúde financeira futura de uma empresa. Passagens promocionais com data flexível, pacotes com grande antecedência e qualquer serviço que exige espera são vulneráveis a esse tipo de problema.
Algumas práticas que reduzem esse risco no futuro:
- Prefira pagar com cartão de crédito: em casos de falência ou cancelamento, o chargeback (contestação da cobrança) pelo cartão é uma das poucas ferramentas que devolve o dinheiro com mais rapidez.
- Desconfie de promoções muito abaixo do mercado: preço muito abaixo do mercado por muito tempo é sinal de que algo no modelo de negócio pode não estar funcionando.
- Diversifique: não coloque muito dinheiro em um único serviço de viagem: distribuir reservas entre diferentes empresas reduz o impacto caso uma delas entre em colapso.
- Verifique a reputação da empresa antes de comprar: sites como Reclame Aqui e o histórico de reclamações no Procon dão sinais antecipados de empresas com problemas de atendimento e devolução.
Perguntas frequentes sobre a 123 Milhas em 2026
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Conclusão
O caso da 123 Milhas é uma das maiores histórias de frustração do consumidor brasileiro nos últimos anos. Mais de 800 mil pessoas ainda aguardam resolução, e o desfecho depende de uma assembleia que já deveria ter acontecido há muito tempo.
Se você é um dos afetados, verifique seus dados na lista de credores, acompanhe o processo pelo TJMG e, quando a assembleia for convocada, participe. Quem não aparece não tem voz — e em um processo desse tamanho, cada voto conta para definir se você vai receber algo ou não.
Fonte: TJMG (tjmg.jus.br) | 123milhas.com/recuperacao-judicial | Mercado & Eventos | STJ | dados verificados em maio de 2026. Acompanhe atualizações no portal oficial do TJMG.
