Alguns dos maiores erros financeiros da história não foram cometidos por investidores comuns. Foram cometidos pelas próprias pessoas que criaram as empresas mais valiosas do mundo. Saíram cedo demais, venderam barato ou foram empurrados para fora, e assistiram de longe enquanto o que construíram virava trilhão.
Esses são cinco casos reais, verificados e documentados. Cada um com uma lição financeira que vai muito além do Vale do Silício.
1. Ronald Wayne — Apple
Em 1º de abril de 1976, Ronald Wayne assinou o contrato de fundação da Apple ao lado de Steve Jobs e Steve Wozniak. Ele tinha 40 anos, experiência de negócios e recebeu 10% da empresa. Doze dias depois, vendeu sua participação de volta por US$800. Mais tarde recebeu US$1.500 adicionais para abrir mão de qualquer direito futuro. Total recebido: US$2.300.
O motivo foi o medo de responsabilidade pessoal por dívidas da empresa, que naquela época era uma sociedade simples, sem proteção jurídica de responsabilidade limitada. Wayne tinha passado por uma falência anterior e não queria arriscar o patrimônio que tinha. Hoje, com a Apple valendo mais de US$4 trilhões, aqueles 10% valeriam entre US$75 bilhões e US$400 bilhões. Aos 91 anos, ele vive em Nevada e complementa a renda vendendo selos e moedas raras.
2. Jawed Karim — YouTube
Jawed Karim foi um dos três co-fundadores do YouTube em 2005, ao lado de Chad Hurley e Steven Chen. Ele postou o primeiro vídeo da plataforma em 23 de abril de 2005, um clipe de 19 segundos filmado no Zoológico de San Diego com ele falando sobre as trombas dos elefantes. Em pouco mais de um ano, o YouTube se tornara o maior site de vídeos do mundo.
Karim saiu da empresa antes da venda para voltar a estudar na Universidade de Stanford. Quando o Google comprou o YouTube por US$1,65 bilhão em outubro de 2006, ele recebeu US$64 milhões em ações do Google. Hurley, que ficou como CEO, recebeu US$345 milhões. Chen, o CTO, recebeu US$326 milhões. Hoje o YouTube é avaliado em US$550 bilhões — mais de 333 vezes o valor da venda.
3. Kevin Systrom — Instagram
Kevin Systrom co-fundou o Instagram em outubro de 2010 com Mike Krieger. Em dois meses, a plataforma tinha 1 milhão de usuários. Em abril de 2012, com apenas 13 funcionários, o Instagram foi vendido para o Facebook por US$1 bilhão em dinheiro e ações. Systrom, que tinha 40% da empresa, recebeu cerca de US$400 milhões. Krieger, com 10%, recebeu US$100 milhões.
Parecia uma vitória extraordinária. E era, naquele momento. O problema é que o Instagram continuou crescendo dentro do Facebook e hoje é avaliado em torno de US$114 bilhões, segundo a consultoria Kantar. Se Systrom tivesse mantido sua participação, sua fortuna seria muito maior do que os bilhões que acumulou. Ele e Krieger saíram do Facebook em 2018 após conflitos com Zuckerberg sobre a direção da plataforma.
4. Alexis Ohanian — Reddit
Alexis Ohanian co-fundou o Reddit em 2005 com Steve Huffman e Aaron Swartz. Em 2006, menos de um ano após o lançamento, a Condé Nast comprou o Reddit por cerca de US$10 milhões. Na época, parecia um bom negócio para uma startup jovem com poucos usuários.
Ohanian continuou ligado à empresa por um tempo, mas a venda precoce significou que ele não capturou a maior parte do crescimento. Hoje, após o IPO de 2024, o Reddit vale mais de US$45 bilhões. A fatia original de Ohanian, se mantida e não diluída, valeria centenas de milhões de dólares a mais do que ele recebeu pela venda inicial. Para comparação, sua esposa, a tenista Serena Williams, tem patrimônio estimado em US$350 milhões.
5. Martin Eberhard — Tesla
Poucos sabem, mas Tesla não foi fundada por Elon Musk. A empresa foi criada em julho de 2003 por Martin Eberhard e Marc Tarpenning. Musk entrou como investidor principal na primeira rodada de financiamento em 2004 e se tornou presidente do conselho. Eberhard era o CEO e a visão técnica por trás dos primeiros carros da empresa.
Em 2007, enquanto Eberhard estava em viagem, o conselho se reuniu sem ele e decidiu removê-lo do cargo. Ele recebeu um telefonema de Musk comunicando a demissão. Sem a possibilidade de se defender ou participar da discussão, foi inicialmente transferido para uma posição sem poder real e depois deixou a empresa. Tesla hoje vale mais de US$800 bilhões. Musk, que ficou, é um dos homens mais ricos do mundo.
O que esses 5 casos têm em comum
Wayne saiu com medo de perder o patrimônio. Karim saiu para estudar. Eberhard foi demitido sem aviso. Em nenhum caso a saída foi uma decisão fria e planejada com base em dados do futuro da empresa. Foi reação a circunstâncias do momento.
Em todos os casos, a empresa cresceu de forma exponencial após a saída do fundador. YouTube valorizou 333x. Reddit passou de US$10 mi para US$45 bi. Instagram de US$1 bi para US$114 bi. O maior potencial estava sempre no futuro, não no presente da saída.
Comparativo: o que cada um deixou para trás
| Fundador | Empresa | Recebeu | Valor atual da empresa |
|---|---|---|---|
| Ronald Wayne | Apple | US$2.300 | US$4 trilhões |
| Jawed Karim | YouTube | US$64 milhões | US$550 bilhões |
| Kevin Systrom | ~US$400 milhões | US$114 bilhões | |
| Alexis Ohanian | Parte de US$10 mi | US$45 bilhões | |
| Martin Eberhard | Tesla | Demitido | US$800 bilhões |
Perguntas frequentes
A paciência é o ativo mais valioso de qualquer investidor.
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Conclusão
Ronald Wayne, Jawed Karim, Kevin Systrom, Alexis Ohanian e Martin Eberhard não eram pessoas descuidadas ou ingênuas. Eram profissionais inteligentes que tomaram decisões racionais com as informações que tinham no momento. O problema é que o futuro raramente aparece nos dados do presente.
A história deles não é sobre arrependimento. É sobre o poder do tempo e da permanência em qualquer investimento. Quem ficou, ficou mais rico. Quem saiu, ficou com o que tinha. Em finanças, como na vida, às vezes a decisão mais corajosa não é sair. É aguentar e esperar.
Fonte: Fortune | CNBC | Wikipedia | Washington Times | Cult of Mac | VnExpress | Entrepreneur | dados verificados em maio de 2026.
